Autora:
Rita De Blasiis, Presidente da Fundação Monteiro Lobato
Iniciativa:
Prefeitura Municipal de Araxá/MG
Os
laureados do Prêmio Nobel propuseram a realização de um movimento que concentrasse
esforços, no ano 2000, em torno da construção de uma cultura de paz. E a
Assembléia das Nações Unidas, no dia 15 de janeiro de 1998, proclamou o ano de
2000 como o ANO INTERNACIONAL POR UMA CULTURA DE PAZ, solicitando aos que
lançaram a proposta , a elaboração de um pequeno texto referencial para
circular pelo mundo. Desta forma, surgiu o MANIFESTO 2000 com o objetivo de
estimular compromissos e atitudes de cada um dos habitantes da Terra, reunindo
milhões de assinaturas que serão apresentadas na próxima Assembléia Geral da
ONU, em setembro do ano de 2000.
O
Manifesto 2000, em verdade, constitui-se em um pacto de paz que precisa ser
estudado, discutido e negociado entre as pessoas. Porque para que a paz se faça
entre os seres humanos é preciso que TODOS concordem realmente em viver em paz.
E não somente os adultos são responsáveis, mas crianças e jovens também.
Sabe-se, hoje em dia que, apesar da faixa etária em que se encontram, são eles
perfeitamente capazes de tomar atitudes agressivas que contribuem para a
consolidação de uma cultura de violência em nossa sociedade. A convivência
diária neste caso é fundamental, seja em casa, na escola ou na vida em
sociedade. Pode esta convivência diária ser realmente, uma constante aprendizagem
voltada para o cultivo da paz.
Cada
um dos itens propostos no Manifesto 2000 remete, portanto a uma situação
especial e à compreensão de valores fundamentais somente será possível se cada
ser humano assumir a sua responsabilidade, adotando comportamentos que fomentem
esta cultura de paz. O Brasil, atualmente, lidera a lista dos países onde a
taxa de desenvolvimento humano é mais baixa, ou seja a qualidade de vida da
maioria de seus habitantes é inadmissível. Isto se denomina violência social
que não será solucionada através do simples crescimento econ6omico porque os
indicadores internacionais revelam também que este crescimento aqui, se
concentra na mão de poucos. Pode-se, por isso, estabelecer uma relação clara
entre a proposição do Manifesto e a necessidade real, em verdadeiro regime de
urgência, desta mesma proposição que o país tem. É realmente preciso que
cada cidadão se emprenhe em assumir
valores que venham reger e estruturar os seus comportamentos pessoais e sociais. E principalmente, que as crianças
e jovens acreditem que o mundo do futuro lhes pertence e que este será
exatamente tal como, depois de adultos, estas mesmas crianças e jovens poderão
edificar: um mundo em paz.
O
PROJETO ARAXÁ PELA PAZ tem por objetivo proporcionar a todos os segmentos de
nossa sociedade uma oportunidade de reflexão sobre a necessidade do
desenvolvimento de uma cultura de Paz, assumindo o compromisso de observar
todos os valores comportamentais do Manifesto 2000. No âmbito escolar o Projeto
visa a criação de uma oportunidade de estudo e compreensão do Manifesto através
de atividades específicas.
Para
alcançar os objetivos estabelecidos, o PROJETO ARAXÁ PELA PAZ propõe as
seguintes atividades:
Organização de palestras
sobre o Manifesto para os funcionários das empresas e para as comunidades
formadas por instituições, ONG’s, clubes de serviço e seu público alvo, através
de iniciativas tomadas pelos próprios participantes do PROJETO ARAXÁ PELA PAZ;
Desenvolvimento de
atividades educativas e culturais em todas as escolas das redes pública e
particular do município de Araxá;
Realização de um ato
público coordenado pela Fundação Monteiro Lobato, por uma Cultura de Paz,
durante o qual será encerrada a campanha pela adesão ao Manifesto 2000 e serão
apresentados trabalhos efetivados nas escolas de Araxá.
Para
introduzir no meio escolar o texto do Manifesto 2000 e obter uma adesão
consciente e permanente por parte de todos que formam a comunidade escolar,
o PROJETO ARAXÁ PELA PAZ propõe a
seguinte estratégia de ação:
1. CONSTRUINDO
A IDÉIA DE PAZ
1.1. Trabalhando
com os seguintes questionamentos: O que é
PAZ para você? Podemos perceber o conjunto de elementos que formam a paz? Quais
são estes elementos?
1.2. Atividades
práticas:
1.2.1. Montagem
de um painel em papel kraft com gravuras e legendas representativas da idéia de
PAZ de cada aluno;
1.2.2. Elaboração
de pequenas dramatizações que demonstrem situações em que o comportamento das
pessoas determinaram a ausência de paz;
1.2.3. Apresentações
relâmpago destas dramatizações em locais e momentos inesperados, na própria
escola para incentivar junto à comunidade escolar, a discussão, a reflexão e a formação de opinião sobre a questão da
Cultura da PAZ.
2. BUSCANDO
A PAZ
2.1. Trabalhar
com os seguintes questionamentos: Onde e
como você busca a PAZ? O que você pode fazer para que haja PAZ no mundo?
2.2. Atividades
práticas:
2.2.1. Relatos
individuais de fatos e situações em que alguém por exemplo, interferiu na vida
do aluno através de uma atitude comprometida com uma cultura de paz, ou mesmo
de uma vivência ligada à Natureza.
3. CULTIVANDO
A PAZ
3.1. Trabalhar
com produções culturais de áreas específicas: literatura, cinema, artes
plásticas, música.
3.2. Atividades
práticas:
3.2.1. Realizar
na escola uma grande mostra apresentando a contribuição de artistas e
escritores em favor da PAZ;
3.2.2. Elaborar
coletivamente um Estatuto da PAZ para a escola que proponha compromissos a
serem assumidos por todos na vida escolar de forma específica, e como cidadão
responsável, ciente de seus deveres, no mundo;
3.2.3. Criar
uma campanha de divulgação interna desenvolvida e dirigida também aos
familiares dos alunos e profissionais da escola, promovendo a sua adesão
consciente e efetiva ao Manifesto 2000.
Vivemos
na atualidade, um momento crucial da História, em que a velocidade das
transformações, os avanços tecnológicos e científicos assumem tal proporção que
a maioria da humanidade está perdendo, se a menor consciência disto, os seus
direitos humanos. De uma forma muito cruel, o acesso à informação está sendo
limitado àqueles que tem poder aquisitivo para pagar por ele, e a qualidade de
vida de milhões de pessoas é inadmissível.
O Homem deixou de ser o centro de interesse do mundo; a economia está regendo o destino dos
povos, priorizou-se enfim, o capital como mola propulsora da história. Esta
situação está gerando muitas formas de violência, desde a guerra entre países
até a guerra civil das ruas em função do número crescente de indivíduos em
situação de exclusão social.
A leitura do atual perfil do planeta aponta para a
necessidade premente de uma tomada de consciência, por parte de cada cidadão em
formação ou já adulto. É preciso divulgar, discutir, se mobilizar em favor do
Manifesto 2000. Mas antes de tudo, é preciso compreender o momento presente,
visualizar os prognósticos, principalmente para o país, percebendo que, se não
assumirmos o compromisso de construirmos em nossa sociedade, uma cultura de
paz, as conseqüências serão cada vez mais graves e as dificuldades para
revertermos o andamento do processo brasileiro de banalização da violência,
mormente a social, cada vez maiores.
Não há nada mais triste e opressivo do que um povo que
perde a esperança, a confiança na possibilidade de conquistar um futuro melhor.
É preciso resgatar esta fé em nossa capacidade de promover coletivamente a
transformação de nossa realidade.
Para a cidade de Araxá, a oportunidade de conhecer,
refletir e aderir ao Manifesto 2000 é de extrema importância, pois insere o
município num círculo mundial de estudo, comprometimento com a cultura de paz e
a conseqüente busca prioritária de desenvolvimento humano.