GINÁSTICA LABORAL

Autora: Mônica Casagrande

 

            Quantos de nós não ouvimos falar que fazer exercícios leves e de curta duração no local de trabalho compensa os esforços posturais e previne doenças inflamatórias.

            A questão, até o presente momento, era como fazermos isso. Existe metodologia? Basta dar um tipo de aqueci­mento?

        Alguns pensam “é fácil”, pois não se precisa de equipamentos, os exercícios são baseados no alon­gamento das estruturas estáticas ou, dependendo da função que se exerce no trabalho, basta alongar as estruturas muito solicitadas no expediente. Mas, se fosse só isso, por que não descobrimos esse nicho antes?

        Realmente, parece fácil até para quem ainda está cursando a graduação, mas na verdade existem muitas variáveis envolvi­das nessa atividade, desde a grande necessidade de pesquisa no campo da saúde do trabalhador até a estratégia de implementação e a assistência técnica na manu­tenção do programa.

            A atenção que uma empresa dedica a seus funcionários influência fortemente a projeção de sua imagem no mercado. A saúde, para muitos indivíduos, é a primeira dádiva do ser humano ao nascer, porém enquanto escala de valores, com o passar dos anos é o primeiro bem a ser abandonado.

            Muitas doenças e seqüelas poderiam ser evitadas se houvesse realmente qualidade e preocupação com o modo de vida. Por toda vida, por falta de estí­mulos, basicamente educacionais, as pessoas adquirem os mais diversos vícios, preocupando-se com a saúde apenas na terceira idade.

        O exercício físico, maior promo­tor isolado de saúde não-medicamentoso, também é o primeiro a ser abandonado a inserção dos indivíduos no mercado de trabalho, pois só em idas e vindas nos trajetos casa-trabalho / trabalho-casa, o indivíduo despende metade dos seus dias úteis. Sem contarmos as alterações físicas e fisiológicas decorrentes da adaptação ao trabalho (função exercida, ambiente de trabalho, duração do turno, poucas folgas, ausências de pausas na  jornada, alimentação incorreta;etc.).que contribuem para o surgimento do estresse negativo, de distúrbios do sono, de desvios posturais, da tendinite, entre outros problemas.

            Preocupando-se com a qualidade de vida dos funcionários e recompensados pela melhoria da produtividade decorrente das condições de saúde daqueles, empresas e empresário oferecem atualmente esportes e exercícios físico no local do trabalho, como ação efetiva para a diminuição do absenteísmo, da incidência das D.O.R.T. (Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho), dos acidentes no trabalho, tornando a SAÚDE UMA QUALIDADE FUNDAMENTAL.

            A primeira manifestação de atividades esportivas no âmbito interno de empresas no Brasil deu-se na fábrica de tecidos Bangu, sediada no Rio de Janeiro em 1901. Neste ano, os trabalha­dores dessa indústria têxtil de capital e gestão inglesa já se congregavam em torno de um campo de futebol, então um esporte de elite, mas em vias de receber adesão popular.

 

Mônica Casagrande

Pós-graduanda em Recursos Humanos pela Fundação Getúlio Vargas

Professora de Educação Física

Coordenadora do Curso de Ginástica Laboral da FEF - FMU

Informativo Phorte- 2º trimestre/2000

http://www.phorte.com/